“Sou um drama mexicano. Uma comédia vulgar. Sou a cerveja sem espuma, a casa sem lar. Sou o olhar 34 - sou ao contrário. Sou o michê pago em moedas, sou o fim degradante de virgens donzelas. Sou o pássaro ousado que caiu do ninho, sou a pedra no caminho. E se há pedra no caminho, me chutam. Sou o pênalti perdido. Sou a copa da casa, que recebe visitas mas não atenção. Sou reserva, e reservado. Sou o palhaço sem graça, a bailarina sem ponta, sou o pano que cai ao fim do espetáculo. Eu sou o raio, eu sou o que a parta também. Sou qualquer coisa, e continuo sendo ninguém.”
“E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos, muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele completa ela, e vice-versa, que nem feijão com arroz.”
“Essa coisa de amor… Nunca foi pra mim.
Nunca entendi mesmo essa coisa de amar. Ou o que denominam de -amor-, sendo que acaba em menos de uma semana. Nunca entendi como conseguem amar umas sete pessoas apenas em dose meses. É bem estranho, né? Você nunca saber o que tá sentindo, você nunca saber se deve se entregar. Mas aí você se entrega, acreditando que vai dar tudo certo, e que vai ser eterno… E nunca é. Aí você se ilude, cria cenas que nunca irão acontecer, cria diálogos. Mas e aí, né? De que adianta? Afinal… O que você tá fazendo? Tá se entregando de novo, tá -amando- de novo (pela 2ª vez esse ano, não é mesmo, menininha boba?). Aí você se fode, e se acha o Einstein do Amor, acha que sabe de tudo, acha que nunca mais vai se apaixonar, acha que nunca vai se entregar de novo, porque não deu certo da ultima vez. E você fica ciente de que nada vai te machucar de novo, que o -amor- é uma merda. E aí chega aquela outra pessoa e bom… O resto da história você já decorou, né não, mané?“
“— Mozi.
— Fala princesa. — Alan abriu um olho.
— Vem aqui jogar comigo? — Fiz bico.
— Ah Mari, tô com sono. Tava quase dormindo já pô..
— O que é? Não me ama mais? Não quer mais juntar nossas escovas de dentes? Não gosta mais de jogar vídeo-game comigo? Quem é a outra? — Fiquei séria e cruzei os braços.
— Ok. Tô indo jogar, Mariana.
— Ebaaa!
— Me enganou like a boss.
— Sou muito má.
— É, extremamente má.
— Mas eu te amo, mozãaao.
— Tá, me ama. Agora vamo jogar logo,to com sono pô!
— Fala que me ama.
— Te amo. VAMO JOGAR POR FAVOR?
— Mas me ama assim? Tão seco…
— Quer que eu jogue um balde de água em você e depois diga que te ama?
— Ok, Alan. Agora quem tá com sono sou eu. — Fui até a cama e me deitei. Pude ouvir Alan resmungando.
— Mari… Princesa… Amor… Vem aqui jogar com seu gatinho, vem?
— Agora eu não quero!
— Vem. — Ouvi alguns passos em minha direção, logo senti Alan se jogando em cima de mim.
— CARALHO.
— Vamo jogar, bebê. — Ele fez bico.
— Uai, não tava com sono e tudo mais?
— Você tira meu sono, princesa.
— Eu sei. Mas agora não quero mais jogar.
— O que quer fazer?
— Algo diferente.
— Ok. Peraí. — Alan foi para cozinha, em seguida ouvi meu celular tocando.
— Alô?
— Oi amorrrr.
— Alan?
— Sai na varanda do quarto.
— Pra que? Cara… Você tá na cozinha, por que tá me ligando?
— Sai logo. — Andei em direção a varanda.
— Tá, to aqui. E agora?
— Olha pro céu.
— Vai me fazer contar as estrelas? Cara, são muitas.
— Olha! — Olhei pro céu.
— Tá, e agora?
— São lindas, né?
— É, Alan. São maravilhosas.
— São como você.
— Sei… Agora, posso ir dormir? Você tá tomando meu tempo atoa…
— Não é atoa. Não vou ser clichê a ponto de dizer que te amo do tamanho do numero de todas as estrelas do céu.
— E então?
— Vou te dizer que já que você queria fazer algo diferente, fiz por você. É uma coisa boba. Mas eu fiz, fiz você de boba, fiz você olhar atoa pras estrelas. Enfim… Tudo o que eu fiz não teve sentido. Mas, foda-se o sentido. É que eu amo ouvir tua voz, e amo teu jeitinho meigo de quando fica brava comigo. Amo te acalmar e te fazer rir. Amo estar com você, amo ser teu palhaço bobão. É que eu te amo, tá ligada?
— Bobo. Amo você.
— Amor…
— Fala.
— Vem jogar comigo, vem…”